ANDROIDS! Generation
Capítulo Dois
Apesar
de querer ficar em alerta, com os olhos abertos, Ovra não conseguiu
ficar de olhos abertos, ela girava rapidamente, teve que fechá-los.
Tentou contar para ver quantos segundos se passavam e, ao 11º número,
ela sentiu seus pés tocarem em algo.
Era grama. Mas, onde ela estava? Apertou a caixa mais forte junto ao peito. Um vasto campo de grama era o que ela via.
Ovra
começou a raciocinar do porquê elas estava ali: a caixa, o Estado...
Lembrou das 5 lições que aprendeu no colégio. Uma delas "Lembre-se de
todas as possibilidades de ataque", ela pensou mais. "A arma, suas
funções... Essa não! A arma provavelmente gravaria o lugar para onde a
última pessoa foi enviada! Então... Corra, Ovra, corra. " Ela forçou
suas pernas a se moverem e ela correu pelo vasto grama sem rumo, pois
ela devia sair dali, ela devia proteger a caixa.
Após muito
correr, mas muito mesmo, Ovra avistou prédios se erguendo ao horizonte
próximo, cheia de esperança, e cansaço, ela corria com suas últimas
forças.
Ela já não acreditava, estava na cidade. Não era
movimentada, mas estava segura agora. Se esquivou para um beco, fazia
muito calor, mas surpreendentemente o beco estava escuro. Ela olhou para
cima e não havia nada cobrindo o beco. Era estranho, ela já estava
achando que foi uma má ideia.
-Enfrente a luta, hunf! -
Murmurou Ovra, lembrando da 4ª lição que aprendera no colégio Andronyano
- Preciso descançar, e não posso lutar, é a caixa que devo proteger, e,
no meu caso, o sinônimo de "proteger" é correr o máximo possível e me
esconder.
Ela encontrou uma lata grande de lixo, "Argh!", mas ela precisava se esconder.
"Que seja", ela pensou.
Para
a surpresa de Ovra, não tinha lixo algum na lata, apenas um papel
embolado jogado no canto. "É, eu precisava de uma recompença ... "
Entrou
e sentou-se na lata, tirando sua mochila das costas, ela quase já tinha
se esquecido de sua mochila, por que não havia simplesmente guardado a
caixa na mochila? Ah, sim: Uma mochila é um meio mais fácil de perder
objetos por roubo.
Mas agora ela já havia ficado cansada de
carregar essa caixa na mão. Guardou-a na mochila. Pegou um pequeno anel
de sapinho, infantil até demais, e colocou no dedo. Ovra abriu, com a
unha, a boca do sapo e um feixe de luz apareceu. Estava muito escuro
dentro da lata, e aquele papel embolado, que era sem importância no
começo, passou a ser muito importante. Ela o pegou e desombolou-o.
- Mas que coisa! - exclamou Ovra.
Era
um jornal, um jornal de... 2012? Ela havia voltado 1823 anos no tempo?
Não era possível! Seu pai devia estar louco! Por qual motivo ele havia
de ter mandado a filha 1823 anos no tempo? Louco, louco e louco!
Ovra
pensou nesse tempo, pensou em seus amigos. Todos eles iriam fazer 16
anos, naquele ano, no seu tempo. Eles tiverem que ficar protegendo as
escolas de menores. Ovra também estava lá, mas o Estado havia perdido
muitos soldados e alguns Pré-Androids filhos de Grandes Androids foram
escolhidos para batalhar junto aos seus pais. Ao ser convocada, ela viu a
pontada de inveja de alguns colegas, e, sinceramente, ela não se
importaria nada em trocar de lugar com esses colegas. Ela não queria
batalhar, não desse jeito.
Ela e mais 4 colegas, Rafgã,
Taynali e Cayuë, estavam já no Q.G Androyniano. Ovra avistou seu pai na
bancada da frente discutindo com o General sobre estratégias, o
pensamento de Ovra voou para os braços de Heftor. Ela queria ter falado
para ele o quanto o amava, pois sabia que de um jeito ou de outro, ela
não estaria mais naquele lugar. Ovra eliminou esse pensamento. Foco,
agora que ela estava aqui, não havia como fugir da guerra ou da morte. E
ela sabia que seus 4 colegas estavam pensando nisso também, mas a voz
do General fez com que todos os seus medos fossem forçados a sair dela.
-
Muito bem, Androids... Vocês tem que saber que não será uma batalha
difícil, será uma batalha terrível! A revolta dos Biaks não será apenas
uma guerra de espadas, será uma guerra de tortura, chantagens e muito,
muito terror! Mas, não temam! Pois o Estado vem em primeiro lugar! - O
general disse isso, virando-se para eles, os Pré-Androids - E vocês...-
Apontou o dedo para os 5 - Vocês terão uma ordem muito importante,
deverão proteger a Caixa do Estado. Ou melhor, vocês irão proteger quem
irá carregar a Caixa do Estado, mas saiba que quem for carregar a Caixa
poderá sofrer mais do que os que protegerão o Guardião da Caixa. Quem se
você carregará a caixa?
Fez-se um silêncio na sala, Ovra
olhou para o seu pai ligeiramente, ele não fez sinal algum com a cabeça,
tremendo um pouco, ela levantou a mão fracamente.
-E...eu levarei - Disse Ovra, ao olhar espantado do General.
Ouve-se cochichos pelo Q.G, o que mais se podia entender era " Uma menina? ".
- Muito bem, fico feliz em saber que a filha de Carlz Vandardi irá proteger a Caixa do Estado - Disse o General.
Ovra odiava quando lhe fazia às sombras de seu pai ...
-Senhor... O que há na caixa? - perguntou Ovra.
- Pequena Ovra, para a sua segurança, é melhor não saber - Afirmou o General.
Ovra não conteve um risinho.
-
Segurança? Vou ter que enfrentar uma batalha "terrível" como o Senhor
diz, tenho 15 anos, faço 16 amanhã mas nem me formei ainda, vou sem
nenhuma arma e você fala de segurança?
Ovra viu seu pai
enrijeser-se, mas ela ficou na postura descontraída em que estava, em um
momento de tensão. Ovra tinha uma super habilidade em ser ironica.
O General soltou um breve suspiro e disse:
-
Muito bem. Digamos que dentro desta caixa há 5 Cristais Elementares.
Isso é uma relíquia, você sabe. Os 5 elementos estão extinguidos a
muitos, muitos e muitos anos, mas a pouco mais de 23 anos um grupo de
cientistas encontraram um "recipiente" parecido com uma bola de
beisebol, aparentemente velha, mas ao observa-la melhor, eles
encontraram dentro ela os 5 fragmentos dos Cristais Elementares
embolados em pedaços de papel.
- Você está me dizendo que
isso aqui, dentro dessa caixa, é, simplesmente, a coisa mais valiosa da
Terra? E os Biaks estão atrás disso?
- Sim e não
- Como assim?
- Eles sabem que temos algo importante, mas não sabem o que.
- E por que, simplesmente, não escondem isso?
- Porque não achamos seguro. Eles tem controle eletrônico, eles podem descobrir facilmente.
- Chega de perguntas - Interrompeu Carlz.
Ovra sabia, seu pai não suportava perguntas. Com ele era assim. Foi dado o que fazer, faça-o.
" BOOM BOM BOM ! "
O barulho do lado de fora do latão interrompeu os pensamentos de Ovra, e, de repente
alguém abre o latão...
Choque. Espanto. Medo. Emoções que Ovra não conseguia identificar.
Por incrível que parecesse, Heftor que havia aberto o latão, ou pelo menos Ovra pensava que era ele...
Todos direitos reservados© Léo Rodrigues
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